Em meio a tantos alertas sobre a crise climática e imagens assustadoras sobre a contaminação dos oceanos e outras tragédias ambientais, eis que surge uma boa notícia: um grupo de estudantes da Universidade de Santiago desenvolveu novas embalagens de plástico biodegradável com resíduos de alcachofra, e que inclusive pode servir como adubo para a terra.

Via CartaMaior.

De acordo com um estudo de 2017 realizado pela Universidade de Geórgia de 2017, cada cidadão que vive no Chile produz um quilo de lixo por dia em média, e 11% desses produtos é feito de plástico. Deste modo, em um ano o país acumula cerca de 25 mil toneladas de dejetos desse material, que demora mais de 600 anos em se decompor, sem contar os produtos que vão parar no oceano e causam um grande dano à flora e à fauna marinhas.

Biodegradável

Esse cenário motivou a estudante Fernanda Ramírez, tecnóloga em desenho industrial da Universidade de Santiago, junto com suas companheiras, sua professora guia e o apoio do Laboratório de Embalagens (LABEN) da mesma universidade, surgiu a ideia de melhorar os bioplásticos já existentes. “Um deles é o poliácido lático (PLA), ao qual acrescentamos resíduos de alcachofra para que demorasse menos em se decompor. O processo de decomposição do PLA tarda entre 8 e 10 meses, enquanto o que nós criamos tarda entre 4 e 5 meses”, explica.

A equipe que desenvolveu o novo material, que recebeu um financiamento do Fundo de Fomento ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Chile, também descobriu outro tipo de bioplástico, que chamaram Skålen, ao qual também mesclaram com resíduos de alcachofra, o resultou em um material capaz de se dissolver em contato com a água. Deste modo, não poderia conter produtos líquidos, mas oferece, em compensação, a vantagem de servir como adubo para o solo, e por tanto não gera lixo.

“Usamos a alcachofra porque é uma das hortaliças que mais se produz na região (central do Chile) durante o período em que realizamos a pesquisa (junho e setembro de 2017), além do fato de que é 70% dela é desperdiçada, e nos pareceu que poderíamos aproveitar exatamente essa parte”, afirma a estudante Fernanda Ramírez, que liderou a pesquisa chilena.

Novos estudos

Ainda assim, Ramírez afirma que sua equipe está trabalhando em novos estudou e provando com outros resíduos. “Nosso objetivo é desenvolver uma variedade de materiais que tornem viável a produção anual e em grande escala de embalagens ecológicas”, projeta a estudante.

A solução oferecida pelas estudantes chilenas surge em meio a um cenário onde existem muitos projetos de universidades chilenas para encontrar soluções que sejam harmônicas com o meio ambiente – algumas delas com apoio financeiro estatal.

Essa necessidade surgiu a partir de uma nova lei recentemente promulgada no país que visa proibir completamente o uso de bolsas de plástico convencional no comércio em um prazo de três. A nova legislação aceita a substituição desse plástico convencional por materiais bioplásticos com período de decomposição menor que um ano. Também prevê a aplicação de multas àqueles que não cumprirem a legislação quando a proibição já esteja plenamente vigente.

Notadoocomprimido: Não é a primeira vez que aparece uma iniciativa desse tipo. Ano passado (2017), aqui mesmo no Brasil, a USP produziu um plástico 100% biodegradável com resíduos da agroindústria (saiba mais). São necessárias políticas públicas para que estes produtos saiam dos laboratórios e comecem a aparecer nos supermercados. O mercado, sozinho, não vai valorizar este tipo de invenção. Ainda que seja mais barato a longo prazo, exige um investimento inicial alto e pode não ser lucrativo.

 
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