Minha primeira experiência com a franquia Zelda foi na casa de um amigo. Não lembro qual era o jogo, mas era num GameCube. Aquele aparelho quadrado e roxo me chamou a atenção.

Provavelmente joguei The Wind Maker. Não lembro muitos detalhes porque esse “joguei” é bem entre aspas. Foi uma coisa rápida – eu era visita e tinha um monte de criança. Isso significava, claro, que qualquer jogo sem multiplayer era rapidamente banido. Mas nunca esqueci daquela experiência. Algum tempo depois, fui pesquisar mais sobre esse tal de Link.

À FRENTE DO SEU TEMPO…

Uma coisa que me intrigou, quando comecei a pesquisar sobre Zelda, é que há um grande debate na internet se o jogo é ou não um RPG. Parando para analisar, você percebe que desde os primeiros jogos ele possuía elementos que fugiam do padrão de outros jogos de role-playing game. O Link nunca teve “características” e “níveis”, por exemplo. Não adianta matar mil inimigos, em Zelda você só causará mais dano se encontrar uma espada mais forte. Em “Secret of Mana”, que tem uma mecânica de batalhas “parecida” (fãs, não me matem), os personagens possuem níveis, podem evoluir suas magias, etc. Essa, em geral, é a base de um RPG. Minha opinião é que Zelda talvez tenha sido o primeiro jogo de mundo aberto e “hack slash”, mais próximo de GTA e God of War do que de Chrono Trigger. O que vocês acham?

…LITERALMENTE

Algo que também que sempre intrigou o público era a cronologia dos jogos. Isso porque os dois primeiros jogos lançados são, na verdade, os últimos na linha do tempo da história (pelo menos até agora). Falarei mais sobre isso logo abaixo.

Durante muito tempo, boa parte dos fãs consideravam que os diferentes lançamentos de “The Legend of Zelda” eram “lendas” no sentido de que cada jogo se passaria num universo diferente. Até que a própria Nintendo lançou, no final de 2011, o livro “Legend of Zelda: Hyrule Historia“. Na obra, é apresentada uma linha do tempo relacionando os lançamentos dos jogos com a cronologia do universo Zelda (imagem ao lado). Em outras palavras, qual seria a maneira correta de encaixá-los numa linha do tempo de modo que as histórias formassem uma narrativa única.

Sinceramente, não acho provável que, há mais de 30 anos, o criador, Shigeru Miyamoto, tenha pensado em todo este universo. Ou nos próximos jogos que lançaria. Pra mim, assim como Pokémon, “Zelda 1” foi lançado de maneira despretensiosa e, atingindo sucesso, foi sendo imaginado e construído. É diferente de outras obras, como Dragon Ball, por exemplo, que já era um mangá quando foi transformado em anime e posteriormente em jogos.

E, não se enganem, isso foi ótimo. O uso de diferentes linhas do tempo, e o fato dele poder criar novas histórias que se passam cronologicamente antes ou depois de outros jogos tornam as possibilidades de Miyamoto simplesmente infinitas. Sem ficar forçado. Todos queremos saber mais sobre a história desse universo imaginado pelo artista!

#DESAFIOZELDA

E pra quê eu falei disso tudo? Bom, o fato é que sempre gostei da franquia Zelda, mas conheço pouco. Sabe aquele colega de escola/faculdade/trabalho que não aparecem muitas oportunidades para interagir, mas você admira e tem uma amizade enorme? É mais ou menos a minha relação com o Link.

Outro ponto é que está cada vez mais difícil dedicar tempo a jogos não casuais. Sempre dediquei essa atenção apenas a Pokémon. Se você está jogando um RPG como Chrono Trigger, por exemplo, e fica uma semana sem jogar, quando voltar provavelmente se encontrará completamente perdido. Acreditem, isso aconteceu comigo, acabei viajando no tempo para a linha do tempo errada e fiquei preso por dias até ter que pesquisar na internet o que fazer… Já se você fica um ano sem jogar Mortal Kombat – pode até esquecer como fazer aquele Fatality – mas vai jogar normalmente. É um jogo casual, você joga, interage, se diverte e desliga.

Claro, dá pra jogar Zelda só enfrentando os inimigos, mas perde-se o que o jogo tem de mais rico. Convenhamos, a maioria dos jogos da franquia possuem enredos interessantes e complexos. Mas, por causa disso, sempre eu dizia “ah eu jogo depois, com mais calma”.

Estou um pouco atrasado – assumo – mas criei esse #DesafioZelda justamente por perceber que já passou da hora de conhecer de verdade os jogos da série. E, aproveitando a oportunidade, vou jogar seguindo a linha do tempo cronológica de Hyrule, de modo que, conforme eu vá completando os jogos, vá também conhecendo a história desse universo. Ainda não me decidi qual linha vou seguir depois de Ocarina of Time, mas isso é papo para outro post.

“IT’S DANGEROUS TO GO ALONE”*

A ideia então é dividir essas experiências com vocês, leitores. Talvez a maior dificuldade do #DesafioZelda seja conseguir os jogos. Simplesmente comprar ou alugar os consoles não é o que eu quero. Tampouco vou fazer gameplay de jogos que têm milhões de gameplays no Youtube (o que não significa que não vá filmar um trecho ou outro que eu goste). Vou ensinar vocês a pensar em soluções para emular seus próprios consoles ou, em último caso, pegar emprestado os aparelhos e se virar, sem gastar nada. Esse é o diferencial dessa jornada. Seu celular ou computador são capazes de muito mais do que vocês imaginam, podem ter certeza.

O primeiro jogo da fila, por exemplo, é o Skyward Sword, de Nintendo Wii. Só que… não tenho Wii. Como vou fazer? Em breve vocês vão descobrir! Retroarch neles!

Os episódios irão ao ar toda quinta-feira, às 17h. Até a próxima 😉

*”It’s dangerous to go alone”, que significa “É perigoso ir sozinho” (tradução livre), é uma das frases mais famosas do primeiro jogo da franquia, “The Legend of Zelda”.

#DesafioZelda

Saiba mais sobre a ordem cronológica da franquia no site do Distrarindo. Clique aqui.