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#PortugaDiário ep4: Quem é esse Pokémon?

#PortugaDiário ep4: Quem é esse Pokémon?

#PortugaDiário foi uma série que escrevi de 2011 a 2012, durante meu intercâmbio na Universidade do Porto. Viajei por toda a Europa e contei um pouquinho disso no blog. Como o antigo site foi perdido, vou republicar a série, semanalmente, assim como a original. Acompanhe e envie para seus amigos interessados em viajar pelo mundo!

Eram sete e meia da madrugada quando acordamos. Sim porque nesse frio qualquer horário antes das dez horas pode no máximo ser chamado de noite. Mas levantamos cedo para ir na reitoria, a Gabi tinha uma reunião importante (eu to indo só pra não perder a confusã, quer dizer, ajudar a amiguinha).

A reunião é às nove e meia, mas não sabemos exatamente como chegar na reitoria. Na verdade não sabemos nem onde pegar o ônibus, mas a gente consegue. “É só subires um pouco e o ponto está na sua direita”, diz um senhor. “Reitoria? Desces toda vida e logo ali na esquerda tem a parada”, diz outro (apontando para direita). No final das contas o ponto de ônibus era logo na primeira rua após a nossa casa, mas andamos pelo menos uns 500m. Paciência. Pegamos o ônibus e vamos.

RUMO À REITORIA

Saltamos no Palácio de Cristal e ficamos sabendo que a Reitoria não é mais ali, como haviam nos informado. Mais uma vez perguntamos às pessoas na rua e uma enxurrada de informações é jogada sobre nós. Não é que os portugueses não saibam dar informação. Muito pelo contrário, todos eles foram super simpáticos e tentaram nos ajudar. Acredito que há três opções: ou eles não nos entendiam corretamente, e davam a informação errada; ou a gente não os entendia corretamente, o que é uma grande chance; ou ainda um pouco dos dois, o que é pior.

Eu, como jornalista, tentei buscar a verdade (o caminho correto) analisando o discurso de cada um e procurando descobrir o que havia em comum. Obviamente (rs) deu errado. Passamos pela Faculdade de Medicina, praças e mais praças, ruas, até encontrarmos um japonês. Foi a primeira pessoa que vimos quando entramos na Faculdade de Direito. Mal falava inglês o menino (não sei como conseguia assistir as aulas), mas numa frase meio que rudimentar “There! After that building” conseguimos enxergar o paraíso: Lá estava a bendita!

O pior de tudo é que depois de tanto sufoco e desespero, e de corrermos até a porta, olhamos para o relógio: 09:12. NOVE E DOZE?! Saímos de casa quase nove horas, parece que o tempo não passa nesse lugar. Pois bem, o prédio da reitoria é muito bonito, tem um estilo neoclássico que na hora me lembrou as construções do centro do rio (o que faz muito sentido, já que elas foram construídas a partir do estilo português hehe). Na verdade a cidade inteira tem esse ar bucólico de construções que remetem a uma época antiga. Alguns prédios são lindos e bem conservados, como é o caso deste, mas há muitos outros que aguardam por um pouco de atenção há muuuito tempo.

Chegamos, esperamos um pouco e a Gaby entrou para a reunião. Cinco minutos se passaram. Peguei uma revista para ler. Dez minutos se passaram. Me levantei, olhei pela janela, bebi uma água e li todos os panfletos da mesinha do lado. Quinze minutos se passaram. Fui passear.

CONHECENDO

Imaginei que ela fosse demorar pelo menos uma hora por ali, então fui explorar o local. Logo na entrada da reitoria a direita há uma lojinha da universidade, com camisetas, mochilas, canecas, cadernos, tudo com a marca “U. Porto”. São produtos estilosos e que, se fossem mais baratos, valeriam muito a pena. É uma maneira muito interessante de arrecadar dinheiro para a universidade e ter um contato maior com os alunos, que literalmente ‘vestem’ a camisa. No final da lojinha há um espaço para exposições. Neste mês é a vez de um fotógrafo minimalista, que tira fotos de bonequinhos de massa. Fica difícil explicar em palavras, até porque há muitas fotos simplesmente abstratas. Seu trabalho é muito legal, vale a pena a visita.

Na entrada da reitoria à esquerda há um saguão também para exposições, mas que me pareceu permanente. Era o Museu de Mineralogia, com pedras e mais pedras de todos os lugares do mundo. Não me interesso muito por isso, ver uns grãos de areia no microscópio foi bem, digamos, excêntrico. O quartzo e alguns outros tipos interessantes de pedras também são muito bonitos.

Voltei para a mesinha antes da sala de reuniões e conheci um gaúcho do qual não me recordo o nome. No Porto desde setembro, faz Educação Física e estava muito empolgado com a chegada da namorada, brasileira, que ia começar agora os estudos. Dois dias, dois gaúchos, cadê os portugueses desta cidade? xD Deixo meu novo amigo aguardando pela namorada e exploro um pouco mais os corredores. Entro numa parte escura, onde parece que funcionava uma exposição já esquecida. É a parte dos fósseis antigos.

Esqueletos, conchas, pokémons extintos, ratos minúsculos! Tinha de tudo naquela exposição. De repente ouço vozes e saio dali (acho que o acesso ali devia ser proibido, já que estava fechado e com as luzes apagadas). O interessante é que haviam dois fósseis num local mais ao fundo que pareciam muito o Amonite (à direita) e o Omanyte (à esquerda). Claro, seria muito melhor se eu tivesse tirado foto, mas tenho um celular, não smartphone…

MEMÓRIA RAM

Voltando à sala de reuniões encontro a Gabi desesperada num dos corredores “Ahh você sumiu” xD Naquele dia ela estava sem a chave de casa e eu sem telefone, ainda bem que voltei rápido. Depois de almoçar no RU (croquete de soja e pudim de pão vegan por 2 euros!) fomos ao INT daqui (a sessão de assuntos internacionais, com algum outro nome). A “memória RAM” da Christiane é impressionante, enquanto ela nos atende e atende o telefone ela conversa com outro funcionário da sala e pede para outro estudante entrar. Ufa! O resumo da ópera é que eu, de gaiato, aproveitei e já adiantei tudo que deveria ter feito para dar entrada na matrícula – mas sem participar da reunião na reitoria. Na sexta, quando é o dia em que eu marquei a minha reunião de verdade, vou lá só pelo social – como diria a Camilinha, prima da Mari.

Demoramos tanto tempo nisso tudo que já é quase noite, e decidimos esperar para jantar no RU. Na Faculdade de Letras os estudantes têm à sua disposição muitos lugares para ficar deboa, e todos com conexão wifi gratuita, segura e de qualidade (sério!). Há os jardins, mas que são uma escolha ruim com o frio que anda fazendo; escadas, mas também ao ar livre; biblioteca, que tem amplos espaços e inclusive laptops para empréstimo (porque né, empréstimo de livro é coisa do passado); e, o mais interessante, o Bar dos Estudantes. Fiquei intrigado para saber porque chamam a lanchonete, que vende de Pastel de Belém a Coca-Cola, de bar. Bar até onde eu sei pressupõe bebida alcóolica. É quando eu vejo passando um rapaz, magro, alto, devia ter a minha idade, em direção aos jardins com uma cerveja na mão. Ué, onde será que ele…

TÁ TUDO LIBERADO?

É isso mesmo! Aqui em Porto as lanchonet, digo, Bares, podem vender bebidas alcóolicas mesmo dentro da universidade. Afinal de contas, porque não? Todos aqui tem mais de 18 anos, cuidam da sua vida e sabem das suas responsabilidades. Não to falando pra liberar drogas pesadas na lanchonete dos colégios, mas não faz o menor sentido a proibição da venda de bebidas nas universidades brasileiras, como acontece na UnB, por exemplo. Não é porque tá vendendo que o estudante vai chegar bêbado na sala de aula. Isso é subestimar muito a capacidade das pessoas. E se, bem acontecer de alguém chegar bêbado, ele poderia ter comprado em outro lugar ou trazido de casa.

Bem, o restante do dia foi normal. Amanhã terei que resolver todas as burocracias, ir ao Registro de Imigrantes, fazer carteirinha do metrô (métro, como eles dizem aqui), voltar no INT daqui para entregar alguns documentos que faltam… será que vai dar tempo? =S

Não perca em breve o próximo capítulo. Até lá!

Sobre o autor

Thiago Vilela

Graduado em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), estudei Belas Artes na Universidade do Porto (Portugal) e Artes Gráficas na RedZero (Full Sail University). Trabalhei como Assessor de Imprensa e Editor de Vídeos na Comissão Nacional da Verdade (CNV) e hoje sou Assessor de Imprensa na Câmara dos Deputados.

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