Que tal passar o dia inteiro fazendo trilhas no meio da natureza e conhecendo uma cachoeira mais incrível do que outra? Se é esse o seu objetivo, veio ao lugar certo. A fazenda, localizada na região chamada de Várzea do Lobo, abriga um total de 8 cachoeiras visitáveis. O local é aberto para visitação de quarta a domingo e feriados, das 9h às 17h. O Mosteiro Zen Eisho-ji administra a fazenda.

Visite a página oficial da fazenda: clique aqui.

Fiz o passeio no mês de junho, e, apesar do inverno, consegui tomar banho de água quente (ou quase isso) em uma das cachoeiras. É um passeio de dificuldade média. Como o local é preservado pelo Mosteiro, não é permitido levar bebidas alcoólicas. Veja abaixo a avaliação completa!

LOCALIZAÇÃO

A fazenda fica a 40 km da cidade de Pirenópolis-GO, sendo aproximadamente 20km de estrada de chão. Não vou enganar, considere no mínimo 1 hora de viagem. A estrada de terra não é das melhores, mas não precisa de nenhuma 4x4 (fui com um Classic 1.0).

BÔNUS

Se você gosta de tranquilidade, saiba que o pessoal do Mosteiro costuma estabelecer horários de entrada. Se chega um grande número de visitantes, organizam para que o acesso à trilha seja feito por pequenos grupos, com minutos de diferença. Some isso à distância e dificuldade da trilha e garanta silêncio total. É você e a natureza, a natureza e você.

FACILIDADE DE ACESSO ÀS CACHOEIRAS

Depois de chegar ao local e apresentar ou comprar seu ingresso, você ganha um mapa. O interessante é que a trilha é circular, ou seja, você anda e no final do dia estará próximo da entrada. O circuito completo para visitação das 8 cachoeiras é de 4,5 km. A dificuldade é moderada, não sendo recomendada para idosos ou crianças pequenas. É bom usar calçado adequado, nada de chinelo.

Cachoeiras dos Dragões
Cachoeiras dos Dragões

ESTRUTURA FÍSICA

Não há sinal de telefonia no local, então nada de internet. O espaço possui banheiros, estacionamento e uma vendinha pequena com repelentes e água. A estrutura, portanto, é apenas para apoio. Se você pretende passar o dia (o que é recomendado) deve levar sua própria comida e bebidas. Nada de garrafas de vidro e sempre recolha seu lixo!

PREÇO

Até o momento de fechamento deste texto o ingresso custava R$40,00 por pessoa. Se no primeiro momento parece um valor alto, na verdade é um dos melhores custos-benefícios da região, se você considerar que são 8 cachoeiras para visitar. O ingresso pode ser comprado na própria entrada da propriedade, apenas em dinheiro, e em agências na cidade.

AMBIENTE

O lugar é maravilhoso. Faltam palavras para descrever. Cada cachoeira é mais incrível do que a outra, e possui uma mitologia própria, relacionada à história de Dragões.

O destaque fica para a Cachoeira 8, a Rei do Dragão, que tem água quente ou morna, dependendo do horário do dia!

A trilha das cachoeiras começa pelo Ryumon, o Portão do Dragão. Conta a mitologia que, em algum momento, uma carpa começa a nadar contra a corrente, subindo cascatas, e, ao chegar ao final, transforma-se num dragão. Esse percurso começa no Portão do Dragão, que dá nome à nossa primeira cachoeira. Esse portão corresponde ao Mosteiro Zen. O treinamento do praticante zen-budista é muito árduo, mas quem consegue passar por ele se transforma num dragão, num monge zen verdadeiro.

A segunda é a Cachoeira do Dragão Azul. Esse dragão mora no fundo das águas, onde ninguém pode sondar tal profundidade. Para chegar lá, é preciso muito empenho. O praticante zen precisa, muitas vezes, passar por momentos de grande dureza. Porém, quanto mais treina, mais sua capacidade aumenta.

A terceira cachoeira é a Pérola do Dragão. Dizem que o dragão está guardando uma pérola preciosa, negra, rara, dentro de suas mandíbulas. Isso simboliza a natureza de Buda. Para conseguir pegar essa pérola, é preciso ter coragem. A Cachoeira da Pérola do Dragão tem águas profundas e não se pode enxergar o fundo: é preciso tocar a mandíbula do dragão sem medo.

Cachoeira das Nuvens do Dragão, a quarta da trilha, é o próximo destino de quem já conseguiu pegar a pérola do dragão. Nessa hora, aparecem muitas nuvens. O dragão sai da água, pega essas nuvens e começa a subir para os céus. As nuvens de certo modo também são o caos. Nada controlado, nada preparado. Ninguém sabe o que acontece. Assim, a pessoa consegue a auto-realização.

Chegamos à Cachoeira do Dragão Verdadeiro. O livro Fukanzazengi, de Mestre Dogen conta a história de um senhor que era fascinado por dragões. Colecionava desenhos, roupas, potes com forma de dragão. Um dragão ficou sabendo disso e, muito contente, foi visitar o tal senhor. Quando o homem viu quem batia à sua porta, desmaiou! Assim é quando se encontra um mestre verdadeiro. Há muitas pessoas tagarelando sobre o Zen, mas não passam de potes, desenhos, imitações de dragão. Quando aparece o verdadeiro dragão, se assustam e tentam se explicar. Aí está perdido! Essa é a imagem do Dragão Verdadeiro.

A cachoeira maior de todas, com uma queda de 55 metros, se chama Dragão Voador. É alta, larga, como se fosse um dragão abrindo as asas, subindo para os céus.

A sétima cachoeira se chama Dragão do Céu (Tenryu). Ten é céu, ryu é dragão. Já realizou a natureza de Buda e sai do mosteiro e começa a trabalhar com toda a força.

Por fim, a oitava cachoeira é chamada de Rei do Dragão. O grande Rei do Dragão representa os guardiões do mosteiro, que defendem o Dharma para que o mosteiro permaneça funcionando bem.

Foto da Cachoeira de Santa Maria

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