Há alguns meses comprei Bluetooth Audio Receiver da Xiaomi e fiz um review completo aqui no blog (confira). Pra quem não tá por dentro, o aparelho, assim como o SBH56 da Sony, transforma qualquer fone de ouvido em bluetooth. Você conecta via bluetooth o celular/computador/tablet no dispositivo e aí é só conectar qualquer fone de ouvido no aparelhinho. Pronto. Recomendo fortemente que você leia este review antes deste.

No review do produto da Xiaomi (clique para ver o preço atual na Gearbest) eu falei muito da praticidade do aparelhinho e como ele era melhor que os concorrentes da Sony, principalmente pelo preço. O problema é que o receiver é tão pequeno e portátil que… acabei perdendo. Acreditem, desapareceu. Felizmente foi menos de 20 reais. Para não comprar o mesmo produto de novo, acabei optando por experimentar o último lançamento da Sony, que na época do último review ainda não tinha sido lançado.

Sony SBH56

Em primeiro lugar queria dizer que a linha SBH da Sony é muito confusa. Aliás, todos as linhas da Sony são confusas, mas isso é papo pra outro post. SBH significa Stereo Bluetooth Headset, o que, traduzindo toscamente, seria algo como Fone estéreo bluetooth. O problema é que na mesma linha há fones de ouvido e receptores, e o número não significa nada. Por um lado o SBH50 foi de fato lançado antes do SBH52, que foi lançado antes do SBH54 etc. Só que o SBH60, que é um fone de ouvido, foi lançado antes do SBH56. Como entender isso? Ainda tem o SBH20, que também é um receptor bluetooth, só que mais simples, sem tela e sem alto falante interno.

Neste artigo, vamos focar apenas nos receptores bluetooth, SBH50, 52, 54 e, claro, o 56. O legal é que, diferente do aparelho da Xiaomi, todos os aparelhos desta linha, além de transformarem seu fone em bluetooth, também possuem alto-falante próprio. Eu mesmo prefiro usar ele como mini caixinha de som, sem fone de ouvido, principalmente cozinhando. Só que a primeira coisa que você nota no SBH56, comparando com os demais, não são avanços, mas o que ele perdeu. Ele não possui tela, perdeu o suporte a rádio FM e a proteção contra respingos d’água.

sbh

Na foto acima, os aparelhos SBH52 (esquerda) e o SBH54 (direita).

WTF?

Imagino, e li alguns artigos a este respeito, que a Sony tirou a tela do novo SBH para tentar emplacar seus wearables. No mundo ideal da empresa, as pessoas teriam um Xperia, um conector bluetooth SBH e um smartwatch Sony. Como no SBH você podia ver as notificações do celular (e imagino que também a hora), a tela teve que ser eliminada. E, sem tela, não teria como usar o rádio.

Não é uma informação oficial, mas é uma explicação que faz sentido, infelizmente. Quanto à proteção contra respingos de água, a Sony vem retirando de muitos aparelhos, como a linha Xperia X. É algo que não faz sentido, porque ela foi uma das primeiras empresas a incluir esta proteção e, agora que a indústria toda está oferecendo, ela quer deixar a proteção apenas para os aparelhos mais caros.

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Praticidade

Uma coisa que gostei muito, em relação ao Xiaomi Bluetooth Receiver, é o fato dele ter NFC. Toda a linha, desde o SBH50, tem. Acho ótimo a Sony continuar apostando nisso. Com apenas um toque no celular, mesmo que o SBH56 esteja desligado, ele já liga o aparelho e configura tudo. Nada de ter que ficar mexendo com bluetooth, é tudo automático.

O SBH56 funciona com Android, iPhone e iPad (o site diz que não pareia com iPad, mas testei e foi normalmente) e em até dois dispositivos ao mesmo tempo.No site oficial da Sony diz que o SBH50/52/54 são “otimizados” para aparelhos Android, mas imagino que também funcionem com iPhone e computadores. Inicialmente não conseguir parear com Mac OS ou Windows, mas depois de muito pesquisar acabei encontrando um método. Basta, na hora de ligar o aparelho, pressionar o botão liga/desliga por 7seg. Se você não fizer isso, o computador não reconhece. Não sei o motivo, mas fiquei quase dois meses sem conectar no computador, simplesmente porque não funcionava.

sbh56

Com o clip de metal na parte traseira do SBH56, é fácil prendê-lo em qualquer lugar.

Assim como qualquer aparelho do tipo, você pode ligar o dispositivo numa caixa de som antiga e transformá-la em bluetooth, via conexão P2. Isso é muito prático para quem possui aparelhos caros e antigos mas que ainda funcionam bem.

Especificações

O único grande salto desta versão em relação aos aparelhos anteriores é que ela saiu do Bluetooth 3.0 para o 4.2. Para um aparelho lançado no final de 2017, o ideal seria ter pulado para o 5.0, mas não vamos entrar nisso.

A duração da bateria apresenta números estranhos. Se por um lado o site oficial da Sony diz que o SBH54 pode ficar em espera por até 300h (clique aqui), o SBH56 só dura 250h em repouso. Nos outros números, como em tempo de conversação, o novo aparelho ganha (7 contra 4h do SBH54), só que eles não apresentam informações completas. No geral, entretanto, você não tem que se preocupar com isso, a bateria é muito boa e dura bem umas 8h escutando música. Tenho usado no trabalho o dia inteiro e só carrego a cada dois dias. Como o bluetooth 4.2 é mais eficiente, e como o SBH56 não possui tela, imagino que tenha a melhor duração de bateria da linha.

Ah sim, outro avanço interessante é que o SBH56 usa uma conexão USB-C para carregamento. É muito bom ver as empresas começando a usar o USB-C em todos os aparelhos, muito em breve teremos um cabo só para quase tudo. Isso é ótimo.

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Preço

É aqui que as coisas ficam complicadas. Na Amazon americana você encontra o SBH56 por volta de 90 dólares, o que não é nada competitivo comparando com outros fones de ouvido bluetooth que, bem, já são fones, você não precisa plugar o seu. O dispositivo da Xiaomi, que é praticamente igual, custa menos de 20 dólares. Eu consegui um usado aqui no Brasil, mas ainda assim saiu o equivalente a mais de 50 dólares.

Você encontra as versões anteriores com preços mais em conta, e dá também para esperar e comprar usado. Mas, a não ser que esteja muito barato, é muito difícil não escolher o produto chinês. As versões anteriores tinham tela, rádio FM e proteção contra respingos d’água, além do alto-falante. Agora, à exceção do alto-falante e da bateria que de fato é melhor, não há diferença nenhuma. E dá para comprar 4 aparelhinhos da Xiaomi com o preço de um SBH56.

Mais do mesmo, mas com um pouco menos. Vale a pena?

Comecei falando do que o SBH56 não tem, porque de resto todos os SBH50/52/54/56 são muito parecidos. Todos possuem um clip muito prático, para prender na roupa ou em qualquer lugar. O alto-falante embutido obviamente não é muito alto, mas dá para conversar pelo telefone como se fosse um super viva-voz (tem microfone embutido) ou escutar músicas. A bateria funciona bem, mesmo escutando música quase o dia inteiro no fone de ouvido (no alto-falante dura umas 3-4h).

Pra mim, que usei tanto o Xiaomi quanto o SBH56, não trocaria o aparelho da Sony pelo chinês unicamente por causa do alto-falante. É algo que eu, como não tenho caixa de som portátil, sinto falta. Só que, se fosse para decidir hoje, compraria um SBH54 ou SBH52 usados. Dá para encontrar no eBay ou no Mercado Livre por preços em torno de 200 reais. Ainda é bem mais do que o da Xiaomi, mas de fato eles entregam muito mais. Não quero ser repetitivo, mas ainda mais para mim, que uso na bicicleta, a proteção contra respingos d’água é fundamental. O fato de ter uma tela para ver as notificações do celular é outro bônus. Rádio FM sem ter que conectar no celular, então, é sensacional. E, como tudo isso foi tirado pela Sony no SBH56, não faz sentido recomendá-lo.

Ok, tem o bluetooth 4.2 e a entrada USB-C. Mas será que a diferença de preço compensa? Eu acho que não, e você? Deixe seu comentário abaixo! Este foi um aparelho que demorei muito para fazer a resenha, porque há muitos prós e contras. O ideal seria ter experimentado todas as versões anteriores, mas ficaria muito caro comprar toda a linha SBH. Você tem algum desses aparelhos antigos e quer enviar para que eu resenhe? Entre em contato!

Espero que tenham gostado, até a próxima 🙂