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Eleições 2018: Vereadora do PSOL tem material eleitoral apreendido por PM

Eleições 2018: Vereadora do PSOL tem material eleitoral apreendido por PM

A campanha eleitoral começou, e na postagem de ontem (16/08) eu inclusive disse que tentaria não falar sobre acontecimentos do dia-a-dia ou no “calor” dos eventos, mas não tem jeito. Ontem mesmo, ainda pela manhã, a vereadora e candidata à deputada federal pelo PSOL, Talíria Petrone, foi alvo de uma ação no mínimo irresponsável e arbitrária de um oficial da Polícia Militar do Rio de Janeiro.

Atualizado 19/08/2018: PM que apreendeu material de campanha de Talíria Petrone foi autuado por abuso de poder, segundo o jornal ODIA. De acordo com o delegado responsável pelo caso, quase dez testemunhas foram ouvidas, incluindo um membro do Ministério Público com experiência em atividade eleitoral que estava na barca por acaso. Todos confirmaram que não era realizada campanha e que a candidata só fez uma selfie com o grupo.

Tudo começou de manhã, quando a vereadora e um grupo de militantes do PSOL estavam nas barcas, indo para o centro do Rio de Janeiro (Talíria é vereadora de Niterói), e em determinado momento pararam para tirar uma selfie. Nesse instante um PM abordou os presentes, batendo no celular da vereadora (que se preparava para a foto) e dizendo que aquilo não era permitido.

No momento da ação policial muitas pessoas se levantaram e gritaram denunciando que aquela ação era uma arbitrariedade. O policial, aparentemente exaltado, empurrou um jovem em particular e deu voz de prisão, alegando desacato, e logo em seguida puxou seu revólver, mandando que ele se sentasse. Ao ver o policial sacar sua arma, Talíria pediu calma a todos os presentes dizendo “Calma, arma mata” – ao que o policial respondeu “Ideologia mata também, ideologia mata mais” – revelando que haviam outros motivos (bem ideológicos, ironicamente) para toda aquela truculência. O material eleitoral apreendido, os documentos de vários presentes e o registro fotográfico do repórter do JB foram todos levados à 4ª Delegacia de Polícia assim que as Barcas chegaram no Rio de Janeiro.

— A gente não estava distribuindo panfletos. Estava apenas segurando o papel com a minha mão e tirando fotos. O policial então veio bruscamente falando que eu não poderia fazer aquilo. Sinceramente, foi uma violência gratuita. Ele foi muito grosseiro, derrubou meu celular, e então pedi para ser respeitada. Ele apreendeu nossos documentos, que só foram liberados na delegacia, sete horas depois — contou Talíria ao jornal O Globo.

Parênteses: De fato, segundo advogada consultada por esta reportagem, é proibido fazer propaganda política ou distribuir panfletos/material eleitoral dentro de transporte público – só que não era o que estava acontecendo. Para transportar material eleitoral não é necessário que os panfletos estejam escondidos ou guardados dentro de mochilas, e tirar uma fotografia não pode ser entendido como propaganda. O comportamento da candidata e dos militantes, ao que tudo indica, era legal. E ainda que a conduta não fosse legal, nada justifica um agente do Estado sacar uma arma contra civis desarmados.

O fotógrafo Bruno Kaiuca, do Jornal do Brasil, por acaso estava nas Barcas no momento do ocorrido e inclusive filmou uma parte da agressão do policial, incluindo o momento em que ele saca sua arma contra de civis desarmados que não ofereciam nenhum risco a ninguém. Assista, abaixo:

De acordo com vídeo que Petrone publicou em seu Facebook após sair da delegacia (depois das 15h), assim que as Barcas chegaram no Rio o jovem foi colocado numa viatura e levado à delegacia sozinho, pois os policiais não permitiram que ela e um advogado que estava presente o acompanhasse. Segundo relato do Esquerda online, um militante do PSOL, que havia chegado na barca seguinte, decidiu fotografar o momento da prisão e a placa da viatura, em seu celular. O policial perguntou, rindo: “estou bonito?“. O militante respondeu que ele iria rir quando respondesse a um processo. O policial deu voz de prisão, acusando-o de “ameaça”.

Nas redes sociais, Talíria denunciou: “Se comigo, com a gente, foi assim, imagina na favela, com pobre e preto. Não passarão com seu ódio. Seguimos em luta”.

Segundo as páginas oficiais o PSOL deve prestar queixa e apresentar denúncia contra a atuação da polícia neste caso.

Com informações do JB e do Esquerda online.

Sobre o autor

Thiago Vilela

Graduado em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), estudei Belas Artes na Universidade do Porto (Portugal) e Artes Gráficas na RedZero (Full Sail University). Trabalhei como Assessor de Imprensa e Editor de Vídeos na Comissão Nacional da Verdade (CNV) e hoje sou Assessor de Imprensa na Câmara dos Deputados.

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