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Ciência vive uma epidemia de estudos inúteis

Ciência vive uma epidemia de estudos inúteis

Há séculos, não bastava a Newton e Galileu realizarem descobrimentos capazes de mudar a história. Deveriam também repetir suas experiências diante de todos os seus colegas, e esses, por sua vez, as repetiam por sua conta antes de ficarem completamente convencidos. Esse princípio de reprodutibilidade foi fundamental para o avanço da ciência desde então. Na atualidade, essa garantia essencial está se perdendo, e coloca em dúvida a validade de muitos estudos em quase todas as disciplinas.

MANIFESTO

Um grupo de pesquisadores dos EUA, Reino Unido e Holanda assinou na quarta-feira um manifesto para que a ciência recupere parte dessa credibilidade e confiabilidade. O principal autor do documento é o médico e pesquisador da Universidade Stanford (EUA) John Ioannidis. Há anos, ele é um dos pioneiros da chamada “metaciência”. A disciplina analisa o trabalho de outros cientistas. O objetivo é comprovar se estão respeitando as regras fundamentais que definem a boa ciência.

Segundo uma análise, 85% dos esforços dedicados à pesquisa biomédica “acabam sendo desperdiçados”. “São estudos que nunca chegam a ser aplicados na clínica ou são feitos de uma forma negativa. Há também muitos outros que são abandonados em etapas muito iniciais”, explica Ioannidis. “Na maior parte das vezes as experiências não são bem projetadas”, denuncia o pesquisador.

“Por exemplo, somente entre 10% e 20% de todos os estudos com animais são aleatorizados para se evitar as distorções” inconscientes dos cientistas, ressalta. No caso dos testes clínicos com pacientes, “somente 5% seguem todos os passos corretamente”, denuncia. O problema afeta “quase todas as disciplinas da ciência”, afirma.

Continue lendo a matéria, publicada originalmente no EL País: clique aqui (recomendo).

MINHA OPINIÃO

O que mais me chamou a atenção nesse artigo é algo que o movimento vegano já denuncia há algum tempo: “somente entre 10% e 20% de todos os estudos com animais são aleatorizados para se evitar as distorções”.

Ainda não há tecnologia para substituir todos os tipos de testes, mas se o uso de animais tivesse sido proibido ou reduzido com certeza esse campo já teria avançado muito. Não é só pela ética, é pela eficiência. E esse debate não começou ontem. Em um artigo de 2006, Kelly Overton, diretor de uma instituição de proteção animal, já denunciava – como tantos outros no mundo científico – a ineficiência dos testes e a urgência de se buscar alternativas (artigo em inglês). Além de moralmente condenável e caro, é questionável mesmo do ponto de vista científico. Nossa diferença em relação a outras espécies é muito grande, um remédio que cure o câncer de um rato tem uma chance ínfima de funcionar em humanos. Não sou eu que estou dizendo, são os dados científicos.

Para quem ficou interessado em ler mais sobre o assunto, em português, a PEA (Projeto Esperança Animal) possui um acervo bem interessante sobre alternativas aos testes em animais e as diferenças entre testes e vivissecção (clique aqui para saber mais).

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Sobre o autor

Thiago Vilela

Graduado em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), estudei Belas Artes na Universidade do Porto (Portugal) e Artes Gráficas na RedZero (Full Sail University). Trabalhei como Assessor de Imprensa e Editor de Vídeos na Comissão Nacional da Verdade (CNV) e hoje sou Assessor de Imprensa na Câmara dos Deputados.

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