Por Fábio Chaves, via @Vista-se.

O título desta matéria parece estar errado, mas não está. É incrível, mas a nossa legislação aceita que a cada grupo de 100 frangos empacotados para a venda, 20 deles estejam infectados por alguma variedade de salmonela.

Segundo o Ministério da Saúde, essa tolerância ocorre porque a salmonela é eliminada com o cozimento ou fritura das partes do animal. Na Europa, porém, a tolerância para esse tipo de contaminação é zero, conforme matéria do portal G1 (veja aqui).

Ainda segundo o Ministério da Saúde, a presença de salmonela na carne de frango é muito comum porque esse micro-organismo faz parte da flora intestinal das aves.

Além de carne de frango, a salmonela é muito encontrada em outros produtos de origem animal como leite de vaca, maionese e ovos. No caso do ovo, o risco é altíssimo quando consumido com gema mole ou mal cozida, conforme explica o infográfico do portal G1.

E o perigo vai além do consumo. Apenas pelo fato de ter um frango congelado contaminado com salmonela em casa, o consumidor corre o risco de infectar outros alimentos e também seus utensílios de cozinha como facas e tábuas de carne.

“Um frango com uma quantidade pequena de salmomela pode ser uma fonte de contaminação. A pessoa vai manusear o frango na mesa, vai cortar. Depois de cozido, ele vai estar livre, mas outras coisas que passaram pela cozinha talvez não.” – diz Letícia Casarin, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, em entrevista ao portal de notícias da Rede Globo.

Em ambos os casos, dos ovos e da carne de frango, mesmo após o produto cozido ou frito, a bactéria está lá, só que “morta” pelo processo de preparação.

Nesse estágio, não causa risco à saúde, mas continua lá.

O assunto veio à tona depois que a Polícia Federal prendeu executivos da Sadia e da Perdigão por falsificação de documentos e por esconderem das autoridades e da população diversos casos de frangos com salmonela acima do permitido (relembre).