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Sete vezes em que o Carrefour atuou com descaso e violência

Artigo baseado no texto “Seis vezes em que o Carrefour atuou com descaso e violência“, do Brasil de Fato. Imagem: @roberta.cubas

Na última quinta-feira à noite (19), véspera do Dia da Consciência Negra, João Alberto Silveira Freitas, homem negro de 40 anos, foi assassinado em uma unidade da rede Carrefour, na zona norte de Porto Alegre (RS). Ele foi agredido por dois seguranças, um terceirizado do supermercado e outro um PM temporário, fora do horário de serviço. Segundo a imprensa, os agressores foram presos.

Esta, infelizmente, não é a primeira vez que um caso como esses ocorre dentro do Carrefour.

O caso do promotor de vendas e os guarda-sóis (2020)

Um promotor de vendas do Carrefour morreu enquanto trabalhava em uma unidade do grupo, em Recife, em agosto deste ano (2020). O corpo de Moisés Santos, de 53 anos, foi coberto com guarda-sóis e cercado por caixas, para que a loja seguisse em funcionamento e permaneceu no local entre 8h e 12h, até ser retirado pelo Instituto Médico Legal (IML).

Em nota, o Carrefour afirma que pediu desculpas “em relação à forma inadequada que tratou o triste e inesperado falecimento do Sr. Moisés Santos, vítima de um ataque cardíaco, na loja de Recife (PE)”.

Controle de idas ao banheiro (2019)

Em maio de 2019, a Justiça do Trabalho de São Paulo concedeu liminar pedida pelo Sindicato dos Comerciários de Osasco e Região contra o Carrefour, que estaria controlando a ida dos empregados ao banheiro.  A juíza Ivana Meller Santana, da 5ª Vara do Trabalho de Osasco, identificou condições consideradas degradantes para os empregados.

De acordo com o Sindicato dos Comerciários, nas sedes de sete cidades (Barueri, Carapicuíba, Embu, Itapevi, Jandira, Osasco e Taboão da Serra), operadores de atendimento e de telemarketing são obrigados a utilizar “filas eletrônicas” para o uso do banheiro. Além disso, devem manifestar necessidade do uso, registrando o nome no sistema eletrônico de fila e avisar ao supervisor em caso de urgência.

Racismo e discriminação (2018)

Em outubro de 2018, funcionários da empresa, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, agrediram Luís Carlos Gomes, porque ele abriu uma lata de cerveja dentro da loja. Surpreendido pelos trabalhadores, o cliente reiterou que pagaria pelo item. Mesmo assim, ele foi perseguido pelo gerente da unidade e por um segurança e depois encurralado em um banheiro, onde recebeu um mata-leão.

Gomes, que é deficiente físico, teve múltiplas fraturas e, como sequela de uma cirurgia, ficou com uma perna mais curta que a outra. Ele acusou o supermercado de racismo e discriminação e pediu uma indenização de R$ 200 mil.

Na época, o Carrefour disse, em nota, que “a rede repudia veementemente qualquer tipo de violência e reforça que, constantemente, realiza treinamentos e reorienta suas equipes, a partir da prática do respeito que exige dos seus colaboradores e prestadores de serviço”. 

Cachorro envenenado e espancado (2018)

Em dezembro de 2018, um cão que estava no estacionamento de uma das lojas da empresa, em Osasco, morreu após ser envenenado e espancado por um funcionário.

“Um segurança do Carrefour que matou o cachorro. Ia ter uma visita de supervisores da matriz e o dono do mercado, da filial de Osasco, pediu para o funcionário dar um fim no cachorro. Ele deu chumbinho no meio de mortadela, e agrediu o cachorro”, afirmou ao G1 Rafael Leal, da ONG Cão Leal, na ocasião.

A rede de hipermercados também não socorreu o animal. “O cachorro foi resgatado com vida todo ensanguentado por uma pessoa que estava perto e socorreu. Ele foi levado para uma clínica veterinária particular, mas morreu em atendimento.”

Demissão como retaliação (2017)

Em dezembro de 2017, trabalhadores do Carrefour que reivindicaram benefício de remuneração por trabalho em feriados foram demitidos da empresa, com a justificativa de corte de gastos. Os funcionários, no entanto, garantiram que os nomes que receberam a demissão estavam envolvidos em movimentos grevistas. 

“Na verdade a empresa nunca teve cortes às vésperas do Natal e Ano Novo. Em 12 anos de casa, nunca vi isso acontecer. Como sempre bati minhas metas, portanto, gerava lucros, fica explícito o motivo de retaliação a fim de desestabilizar o movimento, sim”, contou um ex-funcionário ao The Intercept, na época. 

Os funcionários que trabalharam durante os feriados de novembro de 2017 receberam apenas R$30 por dia trabalhado, menos da metade do que recebiam antes. Um empregado que recebe R$1.290 por mês, ou R$43 por dia, deveria receber R$86 por feriado, já que a diária era dobrada nesses dias.

Outro caso de racismo (2009)

Em 2009, seguranças da rede de hipermercados agrediram o vigia e técnico em eletrônica Januário Alves de Santana, de 39 anos, no estacionamento de uma unidade em Osasco. Ele foi acusado de roubar o próprio carro, um EcoSport. 

Após o caso, manifestantes protestaram no estacionamento da unidade, onde estenderam uma faixa de 30 metros com a frase: “Onde estão os negros?”. Carros também exibiram protetores de para-brisa com a frase “Carrefour racista”. O caso foi reportado pelo portal Geledés

Lembrando que estas são apenas os casos que vieram a público.

Robinho, cultura do estupro e populismo penal

A contratação do jogador Robinho, condenado pelo crime de estupro, levantou uma onda de debates sobre a banalização da violência contra a mulher. No entanto, a naturalização da violência contra a mulher é presente no Santos, assim como é presente no futebol e em todos os espaços dentro do sistema capitalista. No vídeo de hoje proponho um debate sobre a cultura do estupro por um viés feminista marxista e sem punitivismo penal.

Apoie o canal: https://apoia.se/canallaurasabino

Selecionei pra vocês algumas indicações para o aprofundamento sobre o tema:

– A Família e o Estado Socialista (Alexandra Kollontai) – leia online
– Estupro, racismo e o mito do estuprador negro (Angela Davis) – eBook na Livraria Cultura
– Vigiar e punir (Michel Foucault) – livro impresso na Amazon
– A Origem da família, da Propriedade Privada e do Estado (Friedrich Engels) – livro impresso na Boitempo
– Feminismo e política: Uma introdução (Flavia Biroli) – eBook na Amazon
– Feminismo, luta de classes e consciência militante no Brasil (Mirla Cisne) – leia online
– Em busca das penas perdidas (Eugenio Raúl Zaffaroni) – livro impresso na Amazon
– Pelas mãos da criminologia (Vera Andrade) – livro impresso na Amazon
– O enigma da igualdade (Joan Scott) – leia online
– Os desafios do feminismo marxista na atualidade (marxismo21) – download gratuito
– Sexo contra Sexo ou Classe contra Classe (Evelyn Reed) – leia online

Fontes citadas no vídeo:

Garota de 11 anos foi violentada durante uma visita ao pai na Casa de Privação Provisória de Liberdade CPPL V
Relatório inédito do governo federal aponta o drama de trans encarceradas em presídios masculinos

Fontes citadas indiretamente:

Encarceramento em massa: ineficaz, injusto e antidemocrático
Comparing Sex Buyers with Men Who Don’t Buy Sex
The Coalition Against Trafficking in Women
Taxa de ocupação dos presídios brasileiros é de 175%
As mulheres que se prostituem por 25 centavos de dólar
‘Abolish Prisons’ Is the New ‘Abolish ICE’

Olá! Sou Thiago Vilela, jornalista formado pela Universidade de Brasília. Atualmente sou coordenador de comunicação do Dep. Distrital Fábio Felix (PSOL/DF) e produzo o podcast Balbúrdia. Sou um dos criadores da Casa Vegana de Brasília.

Este é meu blog, onde falo sobre política, comunicação, veganismo e tecnologia. Para saber mais, clique aqui.

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