
via Caixa do Remedios, nosso novo parceiro.
Toda semana algumas de suas tirinhas serão publicadas aqui no blog.


por Thiago Vilela.

Há muito tempo atrás, o mundo estava dividido em duas ilhas: o vale do mar azul e a grande terra cinzenta. Em cada ilha moravam habitantes com características perfeitamente iguais, com uma única distinção: a cor da pele.
Após algum tempo, o vale do mar azul decidira entrar em guerra, escravizando todas as pessoas de cor cinza. Inúmeros foram os argumentos sem-sentido para comprovar que a cor da pele determinava a “humanidade” de uma pessoa.
Muito tempo passou desde então.
Hoje, a situação é diferente. Ainda existem duas ilhas, mas nelas moram habitantes das duas cores, que convivem juntos. Estranhamente, algo mudou desde o tempo em que azuis e cinzentos habitavam diferentes terras. Parece que a distinção entre elas não está mais somente na cor da pele.
A proporção de estudantes cinzentos entre 18 e 24 anos que cursam ensino superior é bem menor que a de azuis na mesma faixa etária. Em 2009, 62,6% dos estudantes azuis entre 18 e 24 anos estavam na universidade, contra 30% dos cinzas*.
A diferença também é grande entre as pessoas de 25 anos ou mais com ensino superior concluído. Em 2009, 5% dos cinzentos nesta faixa etária tinha diploma de ensino superior, contra 15% dos azuis.
A desigualdade se reflete também nos níveis mais básicos de educação. A proporção de analfabetos nas populações cinzas é de 13,4%, enquanto a proporção de azuis analfabetos é de 5,9% (todos os dados são do IBGE).
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Dito tudo isso, você realmente acha que não existe racismo no Brasil? Todas estas estatísticas apresentadas são apenas coincidência? Brancos e negros vivem sob as mesmas condições e possuem as mesmas oportunidades?
Até muito pouco tempo atrás, você simplesmente não encontrava negros em determinadas profissões. Será que negros são melhores em empregos de baixa-remuneração e brancos são, por natureza, especialistas em medicina? Ou isto seria fruto de um desenvolvimento histórico sustentado no preconceito e desigualdade social e racial?
As cotas raciais não pressupõem uma inferioridade do negro em relação ao branco, pelo contrário. As cotas são uma medida afirmativa, que possuem como objetivo, a médio-longo prazo, a mudança na maneira como a sociedade vê a si mesma. Neste caso, como a população negra se vê.
Tratar os desiguais de maneira igual só mantêm as injustiças sociais. As ações afirmativas vêm com o propósito de diminuir a desigualdade, mostrando que somos diferentes, pois não temos iguais oportunidades nem iguais recursos, mas que temos as mesmas capacidades. Não por acaso, se você olha estatísticas de negros que entraram em cotas para o ensino superior você percebe que as notas e aproveitamento do curso são iguais ou melhores em relação aos brancos, ainda que aqueles tenham entrado com uma nota menor no vestibular. Dada uma mesma oportunidade, a capacidade é a mesma. Como o capitalismo não permite uma mesma oportunidade para todos, as cotas vem resolver pelo menos um dos problemas.
Isto é uma política de assistência social séria e de qualidade, baseada em princípios norteadores utilizados em países sérios de todo mundo. O resto é demagogia barata, como os absurdos vomitados pelo DEM. É claro que o DEMO acha um absurdo, por trás de todo esse discurso bonitinho sobre preconceito e defesa da liberdade o que ele querem é manter a desigualdade como está. “Vamos tratar todos iguais, todos somos iguais”. Ai, que lindo, como eles são bonzinhos. Mas o pior é que este discurso raso convence muita gente.
Obrigado, STF, por reconhecer o que deveria ser óbvio. Cotas para acesso ao ensino superior são, sim, constitucionais.

por Alina Freitas, estudante de Serviço Social na UnB e colaborada do blog.
Participação de Thiago Vilela.
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Brasília, quarta-feira, 25 de abril de 2012. Ontem à tarde estudantes foram surpreendidos por ataques e agressões verbais de Victor Rafael Neves, conhecido na internet como Picasso Neves. O jovem, que afirma ser formado em História, não é estudante da UnB. Segundo Rafael Ayan, estudante de Serviço Social, “Picasso começou rasgando cartazes que estavam no mezanino e térreo do Departamento de Serviço Social da Universidade. Entre vários cartazes de festas, cursos e exposições, Picasso arrancou somente os que continham alguma informação de ideologia de esquerda, como homenagens à Honestino Guimarães”.
Além de arrancar cartazes com temática política, ele furtou uma cadeira do Centro Acadêmico, que utilizou como palanque para fazer ameaças e acusações aos estudantes que passavam pelo ICC. Estudantes tentaram convencê-lo a parar, mas ele só intensificou o vandalismo. Aos berros, Picasso intimava os estudantes, com ênfase aos comunistas e socialistas: “Vocês comunistas vão morrer! Vão para o caixão!”.
Rafael Ayan conseguiu gravar o momento em que ele fazia suas ameaças. Segue o vídeo:
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Estudantes que presenciavam o ocorrido buscaram os seguranças da UnB, mas eles pareceram não entender a gravidade da situação e, apesar de mais próximos do incidente, chamaram os responsáveis pelo perímetro. Indignados, os presentes questionaram: “Para que servem os seguranças? São figurantes?”. Finalmente, depois que Victor já tinha percorrido parte da ala sul do ICC, a Coordenação de Proteção ao Patrimônio da UnB (COPP) apareceu e o abordou.
Picaso deixou uma carta de 4 páginas no definho, mas que em nada se parece com uma obra de arte. Ele foi levado pelos seguranças para a 2ª DP. A reitoria foi convocada pela COPP a acompanhar o caso, mas enviou somente um ofício. Cerca de 15 estudantes e um professor de sociologia foram também à delegacia para prestar queixa, graças à carona de um veículo disponibilizado pela COPP.
Na 2ª DP os policiais se negaram a fazer o Boletim de Ocorrência. Segundo um dos presentes, que não quis se identificar, os policiais explicaram que a ocorrência deveria ser feita individualmente por cada um, e não pela UnB ou pelo Diretório Central dos Estudantes, que estava sendo representada pelo estudante Mateus Lobo. Os estudantes não quiseram ser identificados, por medo de represálias – e a reitoria se omitiu.
Picaso, então, foi encaminhado para a Polícia Federal. Na PF, o estudante Rafael Ayan prestou individualmente uma queixa. Há relatos de que uma assistente social, da Diretoria de Desenvolvimento Social da UnB, também teria prestado queixa. Entramos em contato, mas ela afirmou que o Decanato de Assuntos Comunitários da UnB não a autoriza a falar sobre o caso. Os demais estudantes entregaram relatórios do ocorrido que foram anexados ao caso, mas sem identificação.
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Acho que todos vocês se lembram do excelentíssimo Reitor José Geraldo, há poucas semanas atrás, afirmando na midia que a questão da segurança na UnB era uma situação “sob controle”. A atitude que a reitoria prestou neste caso, de pura omissão, por acaso é compatível com esta declaração? Onde estava o reitor, numa festinha de aniversário dos 50 anos da universidade? Não é importante prestar queixa contra um indivíduo que entra na universidade para causar baderna e ameaçar os estudantes?
Ajudem a divulgar esta notícia e as informações que estamos apurando, e também o mais importante: estas ameaças não podem nos impedir de nos expressar politicamente, de mantermos a rotina ou até mesmo de frequentarmos nosso próprio C.A. Informação de qualidade é o único remédio, mantenha-se informado.
O atual paradeiro de Victor não é certo. Segundo a assessoria de imprensa da PF, Neves prestou depoimento ontem e foi liberado. Edmilson Lima, coordenador de Proteção ao Patrimônio da UnB, confirma a versão. Estamos acompanhando o caso.
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Leiam também o relato do Rafael Ayan, que além da gravação do vídeo também conseguiu tirar uma foto da carta que foi pregada no Definho: Acesse o Blog do Rafael.
O Campus Online, jornal Laboratório da Faculdade de Comunicação da UnB, também produziu uma matéria sobre o ocorrido após a nossa denúncia. Eles estão acompanhando o caso, e inclusive troquei algumas informações com a repórter: Acesse o Campus Online.